Seletividade normal vs. problemática

Toda criança passa por fases de seletividade, especialmente entre 1 e 3 anos (neofobia alimentar). A seletividade se torna problemática quando:

  • A criança come menos de 20 alimentos diferentes
  • A recusa é baseada em textura, cheiro ou aparência — não em gosto
  • A criança tem reação física ou emocional intensa ao ver alimentos novos
  • A seletividade está comprometendo nutrição ou crescimento

Causas biológicas comuns

  • Deficiência de zinco — essencial para o paladar e o olfato. Crianças com deficiência têm a percepção de sabores alterada. Especialmente frequente em crianças com TEA.
  • Ferritina baixa — afeta a motricidade oral e a disposição para explorar alimentos novos.
  • Hipersensibilidade sensorial — frequente no TEA e TDAH. Aversão real a determinadas texturas, cheiros ou temperaturas. Não é escolha — é como o sistema nervoso processa a informação.
  • Refluxo não tratado — criança que associa comer com dor aprende a evitar alimentos. Refluxo silencioso pode estar por trás de uma seletividade que parece comportamental.

O que fazer

O primeiro passo é uma avaliação pediátrica que investigue as causas biológicas: zinco, ferritina, vitamina D e avaliação do histórico de refluxo e comportamento sensorial.

O tratamento pode incluir suplementação, protocolo de introdução alimentar estruturada (com fonoaudióloga ou terapeuta ocupacional) e, quando necessário, abordagem do processamento sensorial.

A boa notícia: com a causa identificada e tratada, a maioria das crianças amplia o repertório alimentar progressivamente — sem guerras na mesa de jantar.

drrodrigoribeiro.com/pediatria-funcional-alagoinhas

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