Terapias Para Autismo: ABA, TEACCH, Denver e Abordagem Funcional
Introdução
Após receber o diagnóstico de TEA, uma das primeiras perguntas que surge é: “Qual terapia devo escolher para meu filho?” Se você está pesquisando sobre ABA, TEACCH, Modelo Denver e outras abordagens, sentindo-se confuso com tantas siglas e informações contraditórias, saiba que não está sozinho. A variedade de opções terapêuticas pode parecer avassaladora, especialmente quando cada profissional parece defender uma abordagem diferente.
A verdade é que não existe uma “melhor” terapia universal para todas as crianças com TEA. Cada criança no espectro é única, com suas próprias forças, desafios, estilo de aprendizado e características individuais. O que funciona extraordinariamente bem para uma criança pode não ser a melhor escolha para outra. A chave está em compreender as diferentes abordagens disponíveis e, com orientação profissional qualificada, criar um plano personalizado que atenda às necessidades específicas do seu filho.
As principais terapias comportamentais – ABA (Análise do Comportamento Aplicada), TEACCH (Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados à Comunicação) e Modelo Denver – possuem décadas de pesquisa científica comprovando sua eficácia. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria, intervenções comportamentais precoces e intensivas são o pilar fundamental do tratamento do TEA, resultando em ganhos significativos em comunicação, habilidades sociais e comportamento adaptativo.
Neste guia, vamos explorar cada abordagem em detalhes, suas características, evidências científicas, para quem são mais indicadas, e como a abordagem funcional integrativa pode complementar essas terapias. Se você ainda não leu nosso guia completo sobre TEA, recomendamos começar por lá para entender melhor o diagnóstico e visão geral do tratamento. Este artigo aprofunda especificamente as opções terapêuticas disponíveis.
ABA – Análise do Comportamento Aplicada
A ABA (Applied Behavior Analysis) é considerada por muitos especialistas o padrão-ouro entre as intervenções para autismo, com mais de 50 anos de pesquisa científica comprovando sua eficácia. Baseia-se nos princípios da ciência do comportamento para ensinar habilidades e reduzir comportamentos que interferem no aprendizado e na vida diária.
Princípios Fundamentais da ABA
A ABA funciona a partir do princípio de que todo comportamento tem uma função e pode ser modificado através de consequências sistemáticas. Os terapeutas ABA analisam cuidadosamente o comportamento da criança para entender o que o mantém e então utilizam estratégias baseadas em reforço positivo para ensinar comportamentos desejados.
Reforço Positivo: Quando um comportamento é seguido por algo que a criança considera valioso (elogio, brinquedo favorito, atividade preferida), esse comportamento tende a ser repetido. A ABA identifica o que é reforçador para cada criança específica e usa isso sistematicamente.
Ensino Estruturado: As habilidades são divididas em pequenos passos mensuráveis. Cada passo é ensinado repetidamente até que a criança o domine, então avança-se para o próximo. Este processo se chama “encadeamento”.
Coleta de Dados Contínua: Terapeutas ABA registram dados detalhados sobre cada sessão – quais comportamentos ocorreram, em que frequência, o que funcionou como reforço, qual foi o progresso. Esses dados objetivos guiam as decisões terapêuticas.
Como Funciona na Prática
Um programa ABA típico é altamente estruturado e pode ser intensivo:
Intensidade: Para intervenção precoce (crianças de 2-5 anos), geralmente recomenda-se 20-40 horas semanais de terapia. Esse volume intensivo aproveita a janela de maior neuroplasticidade cerebral.
Ambiente Controlado: Especialmente no início, as sessões acontecem em ambiente com poucos distrações, frequentemente um-para-um (um terapeuta, uma criança). Com o progresso, as habilidades são generalizadas para ambientes mais naturais.
Aprendizagem por Tentativas Discretas (DTT): Uma técnica comum na ABA onde cada habilidade é ensinada através de múltiplas tentativas. O terapeuta dá uma instrução, a criança responde, e consequências imediatas são fornecidas (reforço se correto, correção se incorreto).
Áreas Trabalhadas: Comunicação (verbal e não-verbal), habilidades acadêmicas, autocuidado (vestir-se, higiene), habilidades sociais, redução de comportamentos problemáticos, habilidades motoras finas e grossas.
Evidências Científicas
A ABA possui o corpo mais robusto de evidências científicas entre todas as terapias para TEA:
Estudos longitudinais demonstram que crianças que recebem intervenção ABA intensiva antes dos 4 anos apresentam ganhos significativamente maiores em QI, linguagem, comportamento adaptativo e habilidades sociais comparadas a crianças que recebem tratamento menos intensivo ou de outras naturezas.
Uma meta-análise de múltiplos estudos mostrou que aproximadamente 50% das crianças que recebem ABA precoce e intensiva alcançam níveis de funcionamento próximos ao típico em várias áreas do desenvolvimento.
Os ganhos são mais pronunciados em crianças mais jovens (início antes dos 3-4 anos), mas benefícios são observados em todas as idades.
Limitações e Considerações
Intensidade Demandante: 20-40 horas semanais de terapia é um compromisso enorme para famílias, tanto em termos de tempo quanto financeiro. Nem todas as famílias têm acesso ou condições de manter esse volume.
Ambiente Artificial: Críticos argumentam que o ambiente altamente controlado da ABA tradicional pode tornar difícil a generalização das habilidades para situações naturais do dia a dia.
Foco em Conformidade: Algumas vertentes da ABA foram historicamente criticadas por focar excessivamente em fazer a criança “parecer normal” em vez de respeitar sua individualidade e forma autista de ser.
Evolução da ABA: É importante notar que a ABA moderna evoluiu significativamente. Abordagens contemporâneas como a ABA naturalística incorporam mais brincadeiras, seguem os interesses da criança e focam em competências funcionais em ambientes naturais.
Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM)
O Early Start Denver Model (ESDM) é uma abordagem desenvolvimentalista que integra princípios da ABA com ênfase no relacionamento, brincadeira natural e desenvolvimento social-emocional. Foi desenvolvido especificamente para crianças muito pequenas, tipicamente entre 12 e 48 meses.
Características do Modelo Denver
Diferentemente da ABA tradicional mais estruturada, o Modelo Denver acontece principalmente através de brincadeiras naturais e rotinas diárias:
Baseado em Relacionamento: A construção de um vínculo afetivo positivo entre a criança e o terapeuta (ou pai) é vista como fundamental. O foco está em tornar o terapeuta altamente motivador e reforçador para a criança.
Brincadeira Como Veículo: Em vez de ensino em mesa com tentativas discretas, o aprendizado acontece através de brincadeiras interativas divertidas. Os objetivos terapêuticos são incorporados naturalmente nas brincadeiras que a criança já gosta.
Foco em Comunicação Social: Grande ênfase no desenvolvimento de habilidades de atenção compartilhada, imitação, comunicação não-verbal e verbal, e interação social recíproca.
Intensidade: O modelo completo também recomenda 20-25 horas semanais, mas com maior participação dos pais implementando estratégias nas rotinas diárias.
Como Funciona na Prática
Uma sessão típica do Modelo Denver se parece mais com uma brincadeira energética e engajada do que com “terapia” no sentido tradicional:
O terapeuta segue os interesses da criança. Se ela está interessada em carrinhos, os objetivos terapêuticos (por exemplo, imitação, turnos, linguagem) são incorporados em brincadeiras com carrinhos.
Há muita animação, expressão facial exagerada, músicas, movimentos corporais – tudo para se tornar interessante e motivador para a criança.
Cada atividade envolve múltiplas oportunidades de aprendizado. Uma simples brincadeira de “esconde-esconde” trabalha atenção compartilhada, antecipação, turnos, contato visual, comunicação e regulação emocional.
Os pais são treinados extensivamente para incorporar estratégias do Denver em todas as interações diárias – refeições, banho, troca de fraldas, brincadeiras livres.
Evidências Científicas
Pesquisas rigorosas demonstram eficácia do Modelo Denver:
Um estudo randomizado controlado mostrou que crianças que receberam intervenção pelo Modelo Denver por 2 anos apresentaram ganhos significativamente maiores em QI, linguagem receptiva e expressiva, e comportamento adaptativo comparadas ao grupo controle que recebeu intervenção comunitária padrão.
Estudos de neuroimagem (EEG) mostraram que crianças tratadas com o Modelo Denver apresentaram padrões de atividade cerebral mais próximos aos de crianças com desenvolvimento típico, sugerindo que a intervenção influencia o próprio desenvolvimento neural.
Pais relatam alta satisfação com a abordagem, sentindo-se mais capacitados e observando melhora na qualidade da interação com seus filhos.
Para Quem É Mais Indicado
O Modelo Denver é particularmente apropriado para:
- Crianças muito pequenas (12-36 meses)
- Famílias que valorizam abordagem mais naturalística e baseada em brincadeira
- Crianças que se envolvem melhor em contextos menos estruturados
- Situações onde a família deseja estar muito envolvida ativamente na intervenção
TEACCH – Tratamento e Educação para Autistas
O TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children) foi desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte e tem como princípio central estruturar o ambiente e as atividades de forma visual e previsível, aproveitando pontos fortes comuns em pessoas com TEA.
Filosofia do TEACCH
Em vez de focar primariamente em modificar a criança, o TEACCH adapta o ambiente para atender às características de processamento do autismo:
Pensamento Visual: Muitas pessoas com TEA processam informação visual melhor que auditiva. O TEACCH usa extensivamente pistas visuais – agendas visuais, sequências de tarefas ilustradas, organização espacial clara.
Estrutura e Previsibilidade: Ambientes e rotinas altamente estruturados reduzem ansiedade e comportamentos desafiadores. Quando a criança sabe exatamente o que esperar, pode funcionar melhor.
Autonomia: O objetivo é desenvolver a capacidade da pessoa com TEA de funcionar de forma mais independente possível através de sistemas de trabalho que não dependam de constante direção verbal de outros.
Estratégias Práticas do TEACCH
Organização Física: Espaços claramente delimitados e rotulados – área de trabalho, área de brincadeira, área de lanche. Isso ajuda a criança a entender o que fazer em cada local.
Agendas Visuais: Sequência pictórica mostrando as atividades do dia. A criança pode verificar a agenda a qualquer momento para saber “o que vem agora”, reduzindo ansiedade sobre transições.
Sistemas de Trabalho: Organização visual das tarefas que deixa claro: (1) Qual trabalho fazer, (2) Quanto trabalho há, (3) Como saber que terminou, (4) O que acontece depois. Por exemplo, uma cesta com 3 quebra-cabeças deixa visual que há 3 atividades, e quando a cesta estiver vazia, o trabalho acabou.
Instruções Visuais: Sequências passo-a-passo ilustradas para tarefas como lavar as mãos, vestir-se, ou seguir uma receita culinária.
Evidências e Aplicabilidade
O TEACCH não possui o mesmo volume de estudos randomizados controlados que a ABA, mas há evidências substanciais de sua utilidade:
Estudos mostram que estratégias TEACCH reduzem comportamentos desafiadores, aumentam independência em tarefas de autocuidado e acadêmicas, e melhoram transições entre atividades.
É particularmente eficaz em ambientes educacionais. Muitas escolas ao redor do mundo incorporam princípios TEACCH em salas de aula para alunos com TEA.
Famílias relatam que estratégias TEACCH em casa (agendas visuais, organização espacial) tornam rotinas diárias mais tranquilas e previsíveis.
Integrando TEACCH com Outras Abordagens
O TEACCH não é geralmente usado isoladamente, mas sim como complemento a outras terapias:
Uma criança pode fazer terapia ABA para aprender habilidades específicas, mas utilizar sistemas TEACCH em casa e na escola para funcionar com maior independência no dia a dia.
As estratégias visuais do TEACCH podem ser incorporadas em sessões do Modelo Denver ou de terapia ocupacional.
Abordagem Funcional Integrativa Para TEA
A abordagem funcional no tratamento do TEA parte do princípio de que, embora o autismo seja uma condição neurológica permanente, diversos fatores biológicos modificáveis podem estar influenciando a manifestação dos sintomas e dificultando o pleno desenvolvimento da criança. Esses fatores incluem saúde intestinal, nutrição, inflamação, função mitocondrial e exposições ambientais.
Diferencial da Abordagem Funcional
A pediatria funcional não substitui as terapias comportamentais – ela as complementa:
Investigação de Causas Raiz: Enquanto terapias comportamentais ensinam habilidades e modificam comportamentos, a abordagem funcional pergunta: “Por que essa criança está tendo dificuldade para aprender? Há barreiras biológicas que, se removidas, permitiriam que ela progredisse mais?”
Saúde Intestinal: Aproximadamente 70% das crianças com TEA apresentam sintomas gastrointestinais (constipação, diarreia, dor abdominal, refluxo). Pesquisas mostram que muitas têm disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota), permeabilidade intestinal aumentada (“intestino poroso”), ou sensibilidades alimentares. A conexão intestino-cérebro é real – problemas intestinais podem afetar comportamento, humor, cognição e sono.
Deficiências Nutricionais: Estudos demonstram que crianças com TEA frequentemente apresentam deficiências de nutrientes específicos importantes para função cerebral: vitamina D, zinco, ômega-3, vitaminas do complexo B, magnésio. A seletividade alimentar comum no TEA agrava essas deficiências.
Inflamação e Função Imunológica: Marcadores de inflamação crônica são frequentemente elevados em crianças com TEA. Inflamação afeta neurotransmissores, função cerebral e comportamento.
Estratégias da Abordagem Funcional
Otimização Nutricional: Dieta anti-inflamatória focada em alimentos integrais densos em nutrientes. Eliminação de alimentos que causam reações individuais (não é uma “dieta universal”, mas personalizada baseada na resposta da criança).
Suporte Intestinal: Probióticos específicos, prebióticos, suporte digestivo, protocolo para reduzir permeabilidade intestinal e restaurar microbiota saudável.
Suplementação Individualizada: Baseada em deficiências identificadas através da história clínica, padrão alimentar e quando indicado, exames laboratoriais. Não é uma lista genérica de suplementos, mas um protocolo personalizado.
Redução de Exposições Tóxicas: Minimizar exposição a toxinas ambientais que podem afetar desenvolvimento neurológico, e suporte à capacidade natural de detoxificação do corpo.
Otimização do Sono: O sono é fundamental para consolidação de aprendizados. Muitas crianças com TEA têm problemas de sono. Abordagem funcional investiga causas (deficiência de melatonina, problemas intestinais, deficiências nutricionais) e trata de forma abrangente.
Evidências e Integração
Estudos demonstram que intervenções nutricionais e de suporte intestinal podem resultar em:
- Melhora em sintomas gastrointestinais (óbvio, mas importante pois reduz desconforto e comportamentos relacionados)
- Melhor qualidade do sono
- Redução de comportamentos desafiadores
- Melhora na atenção e capacidade de aprender
- Em alguns casos, melhora na linguagem e interação social
Importante: A abordagem funcional não “cura” o autismo. O objetivo é otimizar a saúde biológica da criança para que ela possa aproveitar ao máximo as terapias comportamentais e alcançar seu potencial máximo dentro do espectro.
Outras Terapias Complementares Importantes
Além das abordagens principais discutidas, várias outras terapias desempenham papel crucial no tratamento abrangente do TEA:
Fonoaudiologia
Considerando que dificuldades de comunicação são característica central do TEA, a fonoaudiologia é geralmente essencial:
Desenvolvimento da Comunicação Verbal: Para crianças que têm potencial para linguagem falada, trabalha articulação, vocabulário, gramática, uso funcional da linguagem.
Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA): Para crianças minimamente verbais, sistemas como PECS (Picture Exchange Communication System), aplicativos de comunicação em tablets, língua de sinais adaptada.
Pragmática da Linguagem: Mesmo crianças verbais frequentemente têm dificuldade com o uso social da linguagem – turnos conversacionais, manutenção de tópico, linguagem contextual.
Terapia Ocupacional
A terapia ocupacional aborda dificuldades motoras e sensoriais comuns no TEA:
Integração Sensorial: Muitas crianças com TEA são hipersensíveis (super-reagem a estímulos) ou hipossensíveis (buscam estimulação intensa). Terapia de integração sensorial ajuda o sistema nervoso a processar e responder adequadamente a inputs sensoriais.
Habilidades Motoras: Desenvolvimento de coordenação motora fina (escrever, usar utensílios, abotoar) e grossa (equilíbrio, coordenação bilateral).
Atividades de Vida Diária: Ensino de habilidades de autocuidado – vestir-se, higiene pessoal, alimentação independente.
Psicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental
Especialmente útil para crianças mais velhas e adolescentes com TEA que têm linguagem funcional:
Manejo de Ansiedade: TEA frequentemente coexiste com ansiedade. TCC adaptada para autismo ensina estratégias para reconhecer e manejar ansiedade.
Regulação Emocional: Identificar emoções próprias e dos outros, estratégias de acalmação, resolução de problemas sociais.
Como Montar Uma Equipe Multidisciplinar Eficaz
O tratamento ideal do TEA raramente envolve apenas um profissional. A maioria das crianças se beneficia de uma equipe coordenada trabalhando juntos. Aqui está como criar essa equipe:
Composição da Equipe
Uma equipe abrangente pode incluir:
Pediatra (idealmente com formação em desenvolvimento ou funcional): Coordena cuidado geral, monitora saúde física, desenvolvimento, crescimento. Referencia para especialistas quando necessário.
Terapeuta Comportamental: Pode ser analista do comportamento certificado (BCBA) para ABA, terapeuta treinado em Modelo Denver, ou outro profissional comportamental qualificado.
Fonoaudiólogo: Essencial para desenvolvimento de comunicação verbal e não-verbal.
Terapeuta Ocupacional: Para questões sensoriais, motoras e atividades de vida diária.
Psicólogo: Avaliações periódicas, apoio emocional quando necessário, TCC para crianças maiores.
Nutricionista (preferencialmente com formação em pediatria funcional): Se optando por abordagem funcional integrativa.
Educadores: Professores e acompanhantes terapêuticos escolares são parte crucial da equipe.
Coordenação é Fundamental
Ter múltiplos profissionais não basta – eles precisam se comunicar:
Reuniões de Equipe: Idealmente, reuniões periódicas (trimestrais ou semestrais) onde todos os terapeutas discutem progresso, desafios e ajustam objetivos.
Objetivos Compartilhados: Todos trabalhando em direção aos mesmos alvos. Por exemplo, se a meta é desenvolver comunicação de necessidades básicas, o fonoaudiólogo, o terapeuta comportamental e os pais usam estratégias consistentes.
Papel do Pediatra: Frequentemente é o pediatra ou neuropediatra que coordena o cuidado, mantendo visão geral do quadro e facilitando comunicação entre especialistas.
Papel dos Pais: Os pais são membros essenciais da equipe, não observadores passivos. Vocês passam mais tempo com a criança que qualquer terapeuta e implementam estratégias no dia a dia.
Evitando Sobrecarga
É possível ter “terapia demais”:
Balanceamento: Crianças pequenas ainda precisam de tempo livre, brincadeira não estruturada, descanso. Uma agenda com terapias de segunda a sábado, múltiplas horas por dia, pode ser exaustiva.
Priorização: Nem toda criança precisa de todas as terapias simultaneamente. Priorize baseado nas necessidades mais urgentes naquele momento.
Reavaliação Periódica: O plano terapêutico deve ser dinâmico. À medida que a criança progride, algumas terapias podem ser reduzidas enquanto outras são adicionadas.
Quando Procurar Orientação Especializada em Alagoinhas
Procure orientação pediátrica especializada se:
- Seu filho foi recentemente diagnosticado com TEA e você precisa de orientação sobre por onde começar e qual abordagem seria mais adequada
- A terapia atual não está resultando em progressos esperados após 6-12 meses de implementação consistente
- Você está confuso com recomendações conflitantes de diferentes profissionais
- Comportamentos desafiadores estão piorando ou não melhoram apesar da terapia
- Você suspeita de questões médicas (problemas intestinais, sono, alimentação, dor) que podem estar interferindo no progresso
- Você quer explorar abordagem funcional integrativa para complementar terapias comportamentais
- Precisa coordenar uma equipe multidisciplinar e não sabe por onde começar
Lembre-se: Não existe vergonha em buscar segunda opinião ou orientação adicional. Seu filho merece um plano terapêutico abrangente, baseado em evidências e personalizado para suas necessidades únicas. Se você está aqui em Alagoinhas, o acompanhamento pediátrico regular com profissional que entende TEA e pode coordenar cuidados multidisciplinares é fundamental para o sucesso do tratamento.
Para mais informações sobre o diagnóstico de TEA e visão geral do tratamento, leia nosso guia completo sobre TEA e abordagem funcional.
Conclusão
Escolher as terapias certas para seu filho com TEA não precisa ser uma decisão paralisante. Cada abordagem – ABA, Modelo Denver, TEACCH, abordagem funcional – possui evidências científicas sólidas e pode beneficiar crianças no espectro. A chave não está em encontrar a “melhor” terapia universal, mas sim em compreender as opções disponíveis e criar um plano personalizado que atenda às necessidades, forças e estilo de aprendizado únicos do seu filho.
A ABA oferece ensino estruturado e baseado em dados com décadas de pesquisa comprovando eficácia. O Modelo Denver traz foco em relacionamento e desenvolvimento natural através de brincadeiras. O TEACCH aproveita pontos fortes visuais e oferece estrutura que reduz ansiedade. A abordagem funcional otimiza a saúde biológica para que a criança possa aproveitar melhor todas as intervenções.
Frequentemente, a melhor estratégia é uma combinação de abordagens. Uma criança pode fazer ABA para habilidades específicas, usar estratégias TEACCH para independência no dia a dia, ter pais treinados no Modelo Denver para interações em casa, e seguir protocolo nutricional funcional para otimizar saúde intestinal e função cerebral. Não se trata de escolher um ou outro, mas de integrar o melhor de cada abordagem.
O mais importante é começar cedo, manter consistência, trabalhar com profissionais qualificados, envolver-se ativamente como família, e reavaliarem periodicamente o que está funcionando. Com o plano certo e apoio adequado, seu filho pode alcançar seu máximo potencial e qualidade de vida plena.
Perguntas Frequentes Sobre Terapias Para Autismo
Qual é a melhor terapia para autismo: ABA, TEACCH ou Modelo Denver?
Não existe uma “melhor” terapia universal. A ABA tem as evidências científicas mais robustas e funciona bem para ensino estruturado de habilidades. O Modelo Denver é excelente para crianças pequenas e famílias que preferem abordagem mais naturalística. O TEACCH oferece estrutura visual útil no dia a dia. O ideal frequentemente é combinar elementos de diferentes abordagens baseado nas necessidades individuais da criança.
Quantas horas de terapia por semana meu filho precisa?
Para intervenção precoce intensiva (crianças de 2-5 anos), estudos mostram melhores resultados com 20-40 horas semanais de terapia comportamental. No entanto, nem todas as famílias têm acesso a esse volume. Mesmo terapia menos intensiva (10-15 horas) combinada com treinamento ativo dos pais pode trazer benefícios significativos. O importante é consistência e qualidade, não apenas quantidade.
A abordagem funcional substitui a terapia comportamental?
Não. A abordagem funcional complementa, não substitui, as terapias comportamentais. Enquanto ABA, Denver e outras terapias ensinam habilidades e modificam comportamentos, a abordagem funcional otimiza a saúde biológica (intestino, nutrição, inflamação) para que a criança possa aproveitar melhor essas terapias. Os melhores resultados vêm da integração de ambas as abordagens.
Meu filho tem 7 anos. É tarde demais para iniciar terapia?
Nunca é tarde demais! Embora a intervenção mais precoce (antes dos 3-4 anos) aproveite o período de maior neuroplasticidade, crianças mais velhas, adolescentes e até adultos se beneficiam de terapia. Os objetivos podem ser diferentes – mais foco em habilidades sociais, independência, acadêmicas – mas ganhos significativos são possíveis em qualquer idade.
Como sei se a terapia atual está funcionando?
Terapias eficazes devem resultar em progressos mensuráveis em 3-6 meses: novas habilidades adquiridas, redução de comportamentos desafiadores, melhor comunicação ou interação social. Terapeutas devem coletar dados objetivos mostrando progresso. Se após 6-12 meses de terapia consistente não há avanços, é hora de reavaliar a abordagem com a equipe.
Referências
Este artigo foi elaborado com base nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e evidências científicas atualizadas sobre intervenções para TEA.
Principais fontes consultadas:
- Manual de Seguimento do Recém-nascido de Alto Risco – Sociedade Brasileira de Pediatria
- Tratado de Pediatria 6ª edição – Sociedade Brasileira de Pediatria (Volumes 1 e 2)
- Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo – Ministério da Saúde
- Rogers SJ, Dawson G. Early Start Denver Model for Young Children with Autism. Guilford Press, 2010
- Mesibov GB, Shea V, Schopler E. The TEACCH Approach to Autism Spectrum Disorders. Springer, 2005